Não Dá, Colega!: Pisando com personalidade: "Você já parou pra pensar por que gosta de alguma coisa? Já se perguntou “por que minha cor preferida é essa?” ou “por que eu gosto tanto d..."
domingo, 3 de outubro de 2010
sábado, 25 de julho de 2009
Intelecto e Conservação da Vida
Há milhares de anos, o ser humano, ciente das vantagens que teria em se relacionar com outros indivíduos da mesma espécie, passou a constituir o que, mais tarde, foi denominado sociedade. Com o crescimento e desenvolvimento de tais estruturas sociais, ficou cada vez mais difícil estabelecer uma ordem e um padrão do comportamento humano.
As ramificações do relacionamento dos homo sapiens, impostas pela distribuição destes indivíduos ao redor do planeta, resultaram, posteriormente, nas mais diversas formas de organização interna, nem sempre sistemáticas ou de acordo com a vontade da maior parte daqueles que a compunham. A tortura, a condenação à morte, as perseguições religiosas e as prisões sem julgamento foram marcas de quase todas as civilizações.
Ainda que nós, seres humanos, tenhamos nos desenvolvido muito em relação a nossos ancestrais, uma grande quantidade de comportamentos permaneceu até os dias de hoje. Nossos hábitos, vestimentas, idiomas e posses podem ter mudado; por outro lado, nossos cérebros ainda trabalham, pensam, processam e entendem ações, mensagens e informações – inclusive respondendo aos mesmos instintos, problemas e objetivos básicos – praticamente como antes.
Será mesmo que a espécie que se auto-denomina "mais inteligente" possui fundamentos para tanto? O critério mais importante de uma avaliação - seja qual for - não é a imparcialidade? Quando fazemos um exame, por exemplo, somos avaliados por outrem, de modo que não possamos dar, a nós mesmos, a nota que quisermos. Contudo, quando se trata de medir a inteligência das espécies, a imparcialidade parece ser deixada de lado: seres humanos dão o título de mais capazes de pensar a si mesmos. E se cada espécie acreditasse que é a mais inteligente?
Muitos de nós se elevam a um patamar superior em relação aos outros seres vivos, como se tivéssemos atributos significativamente mais desenvolvidos. O curioso, porém, é que são os seres humanos os únicos animais - sim, animais como tantos outros - cujo desenvolvimento implica a destruição do próprio meio em que habitam. Se considerarmos, portanto, que a "conservação da espécie" é a primeira e mais simplória definição de inteligência, certamente estamos muito aquém de inúmeras bactérias.
As ramificações do relacionamento dos homo sapiens, impostas pela distribuição destes indivíduos ao redor do planeta, resultaram, posteriormente, nas mais diversas formas de organização interna, nem sempre sistemáticas ou de acordo com a vontade da maior parte daqueles que a compunham. A tortura, a condenação à morte, as perseguições religiosas e as prisões sem julgamento foram marcas de quase todas as civilizações.
Ainda que nós, seres humanos, tenhamos nos desenvolvido muito em relação a nossos ancestrais, uma grande quantidade de comportamentos permaneceu até os dias de hoje. Nossos hábitos, vestimentas, idiomas e posses podem ter mudado; por outro lado, nossos cérebros ainda trabalham, pensam, processam e entendem ações, mensagens e informações – inclusive respondendo aos mesmos instintos, problemas e objetivos básicos – praticamente como antes.
Será mesmo que a espécie que se auto-denomina "mais inteligente" possui fundamentos para tanto? O critério mais importante de uma avaliação - seja qual for - não é a imparcialidade? Quando fazemos um exame, por exemplo, somos avaliados por outrem, de modo que não possamos dar, a nós mesmos, a nota que quisermos. Contudo, quando se trata de medir a inteligência das espécies, a imparcialidade parece ser deixada de lado: seres humanos dão o título de mais capazes de pensar a si mesmos. E se cada espécie acreditasse que é a mais inteligente?
Muitos de nós se elevam a um patamar superior em relação aos outros seres vivos, como se tivéssemos atributos significativamente mais desenvolvidos. O curioso, porém, é que são os seres humanos os únicos animais - sim, animais como tantos outros - cujo desenvolvimento implica a destruição do próprio meio em que habitam. Se considerarmos, portanto, que a "conservação da espécie" é a primeira e mais simplória definição de inteligência, certamente estamos muito aquém de inúmeras bactérias.
Grafado por
Hodric
às
15:29
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Comentários.
Atônito, e em Silêncio
Que vergonha postar aqui hoje, depois de o quê... MAIS DE UM ANO?! Pulemos o formalismo, nada de "desculpas". Entre uns cliques e umas roídas de unha (blargh!), cá estou filosofando... E, por falar em filosofar, lembro-me de um episódio recente que aconteceu justamente em uma aula de Bioética, ministrada por meu professor de Filosofia, no curso de férias da faculdade.
A faculdade onde estudo, oferece cursos de férias para que os alunos aprimorem seu conhecimento, e, conseqüentemente, cumpram a carga horária necessária para se formarem. Há muitos cursos interessantes, confesso, e fiquei na dúvida quando a lista de opções foi liberada. Ainda que muitos sejam bons, é verdade que alguns se destacam, seja pela qualidade superior, ou pela curiosidade (lê-se desespero) dos alunos; entre eles, estão Oratória e Vestígios em Locais de Crimes - cursos cujas vagas esgotam em questão de meia hora. Ambos devem ser fascinantes, mas não sei se para mim: quanto ao curso de Oratória, nunca tive dificuldades para falar em público, desde que saiba sobre o que estou falando; já em relação ao curso de Vestígios em Locais de Crimes, oras, sou fã de CSI desde a primeira temporada, não creio que seja vantajoso acordar cedo para ver algo que já sei...
Escolhi o curso de Bioética pelo fascínio que tenho por questões polêmicas; em tese, debateríamos assuntos como aborto, células-tronco, clonagem, entre outros. Eu digo "em tese", e faço questão de destacar essa expressão, porque nosso foco durante as aulas foi outro infelizmente: ficamos todos "indo e vindo" em nossa linha do tempo imaginária, enquanto o professor citava mais e mais pessoas incríveis, quer ligadas à Filosofia, quer relacionadas às ciências biológicas; foram poucos - e desastrosos - os momentos em que alguém, além do professor, falou. Aqueles que se arriscaram disseram coisas como "a evolução dos animais ocorre de acordo com a vontade dos homens"; sim, o dono dessa frase exemplificou sua teoria demonstrando que os lobos se transformaram - no maior estilo Pokémon - em cachorros, para que os seres humanos protegessem suas lavouras, de possíveis predadores.
Mais preocupante do que ouvir frases sem qualquer comprovação empírica é presenciar manifestações absurdas de opinião e juízos de valores. Nos cinco dias de duração do curso - de segunda a sexta-feira, mais exatamente -, tive(mos) que aturar os comentários mais desnecessários da face da terra. Uma colega que até então eu não conhecia conseguiu ultrapassar todas as barreiras do "tolerável", chamando seres humanos de retardados por quererem trocar a cor dos olhos. Ela conseguiu ir além, e chamou albinos, anões e homossexuais de "aberrações" (sic) da natureza. A atitude dela, é claro, rendeu uma discussão que acabou sendo contida pelo professor; mas todos já estávamos perplexos, ainda que não pudéssemos reagir...
Quanto tempo vai levar para que todos entendam o quão sujo o preconceito é? Até quando veremos pessoas humilhando as outras por suas "diferenças", se ninguém consegue chegar a um conceito preciso de diferença? Em que momento os pais vão perceber que não devem passar, para seus filhos, o preconceito que têm? Quantos mais sofrerão por não serem aceitos da forma que são?
Talvez seja o horário, talvez seja a playlist melancólica que estou ouvindo neste momento... enfim, só sei que não consigo concluir o que comecei, não sou capaz de solucionar as perguntas que eu mesmo fiz. Termino esse post da mesma forma que me senti quando vi, pessoalmente, a manifestação de preconceito mais assustadora da minha vida: atônito, e em silêncio.
A faculdade onde estudo, oferece cursos de férias para que os alunos aprimorem seu conhecimento, e, conseqüentemente, cumpram a carga horária necessária para se formarem. Há muitos cursos interessantes, confesso, e fiquei na dúvida quando a lista de opções foi liberada. Ainda que muitos sejam bons, é verdade que alguns se destacam, seja pela qualidade superior, ou pela curiosidade (lê-se desespero) dos alunos; entre eles, estão Oratória e Vestígios em Locais de Crimes - cursos cujas vagas esgotam em questão de meia hora. Ambos devem ser fascinantes, mas não sei se para mim: quanto ao curso de Oratória, nunca tive dificuldades para falar em público, desde que saiba sobre o que estou falando; já em relação ao curso de Vestígios em Locais de Crimes, oras, sou fã de CSI desde a primeira temporada, não creio que seja vantajoso acordar cedo para ver algo que já sei...
Escolhi o curso de Bioética pelo fascínio que tenho por questões polêmicas; em tese, debateríamos assuntos como aborto, células-tronco, clonagem, entre outros. Eu digo "em tese", e faço questão de destacar essa expressão, porque nosso foco durante as aulas foi outro infelizmente: ficamos todos "indo e vindo" em nossa linha do tempo imaginária, enquanto o professor citava mais e mais pessoas incríveis, quer ligadas à Filosofia, quer relacionadas às ciências biológicas; foram poucos - e desastrosos - os momentos em que alguém, além do professor, falou. Aqueles que se arriscaram disseram coisas como "a evolução dos animais ocorre de acordo com a vontade dos homens"; sim, o dono dessa frase exemplificou sua teoria demonstrando que os lobos se transformaram - no maior estilo Pokémon - em cachorros, para que os seres humanos protegessem suas lavouras, de possíveis predadores.
Mais preocupante do que ouvir frases sem qualquer comprovação empírica é presenciar manifestações absurdas de opinião e juízos de valores. Nos cinco dias de duração do curso - de segunda a sexta-feira, mais exatamente -, tive(mos) que aturar os comentários mais desnecessários da face da terra. Uma colega que até então eu não conhecia conseguiu ultrapassar todas as barreiras do "tolerável", chamando seres humanos de retardados por quererem trocar a cor dos olhos. Ela conseguiu ir além, e chamou albinos, anões e homossexuais de "aberrações" (sic) da natureza. A atitude dela, é claro, rendeu uma discussão que acabou sendo contida pelo professor; mas todos já estávamos perplexos, ainda que não pudéssemos reagir...
Quanto tempo vai levar para que todos entendam o quão sujo o preconceito é? Até quando veremos pessoas humilhando as outras por suas "diferenças", se ninguém consegue chegar a um conceito preciso de diferença? Em que momento os pais vão perceber que não devem passar, para seus filhos, o preconceito que têm? Quantos mais sofrerão por não serem aceitos da forma que são?
Talvez seja o horário, talvez seja a playlist melancólica que estou ouvindo neste momento... enfim, só sei que não consigo concluir o que comecei, não sou capaz de solucionar as perguntas que eu mesmo fiz. Termino esse post da mesma forma que me senti quando vi, pessoalmente, a manifestação de preconceito mais assustadora da minha vida: atônito, e em silêncio.
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Hodric
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